terça-feira, 24 de maio de 2011

Vítimas do ex-médico Alberto Rondon em MS ainda convivem com sequelas das cirurgias

Ex-médico foi condenado a 42 anos de prisão na segunda-feira (9).
Advogado de defesa afirma que pretende recorrer da condenação
Ricardo Campos Jr.Do G1 MS
Ex-médico Alberto Rondon é condenado a 42 anos de prisão por erros em cirurgias em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)
Rondon é condenado a 42 anos de prisão por erros
em cirurgias (Foto: Reprodução/TV Morena)
As vítimas do ex-médico e ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul, Alberto Jorge Rondon, receberam com alívio a notícia da condenação dele a 42 anos de prisão em regime fechado, e nove meses em semiaberto, por lesão corporal dolosa, em decisão desta segunda-feira (9), da Justiça.
Contudo, as pacientes, que não quiseram se identificar, afirmaram que transcorrido tanto tempo das cirurgias e diante da possibilidade de mais recursos da defesa e prisão domiciliar, a pena não ameniza as sequelas deixadas pelas operações mal sucedidas.

“Guardo as cicatrizes até hoje”, disse a secretária de 29 anos, uma das 14 mulheres vítimas do médico citadas no processo. “Se eu fosse fazer algo de errado e fosse ficar em casa seria fácil. A gente não pode fazer nada, ele não vai devolver meu dinheiro e nem pagar a cirurgia de reparos”.
Na época, a mulher tinha apenas 17 anos e o procedimento precisou da autorização da mãe dela para ocorrer. Segundo ela, havia suspeita de que o crescimento precoce dos seios estivessem provocando fortes dores na coluna. Um médico recomendou a cirurgia de redução e o profissional escolhido, Alberto Rondon, aparecia na lista de médicos do plano de saúde da família da vítima.
“Depois eles passaram um corretivo em cima do nome dele e disseram que não tinham nada a ver com aquilo, mas a minha mãe tirou uma cópia e guarda até hoje”, disse a vítima. A operação deixou uma cicatriz que percorre todo o tórax da paciente.
Mesmo depois de 12 anos, essas marcas ainda repercutem negativamente na vida da vítima. “Eu tive um pouco de dificuldade em mexer os braços. Há um ano e meio me casei, mas eu não pensava em me relacionar com alguém por vergonha. Como fica o psicológico da gente? E tenho um filho de dois meses e meio e também não consigo amamentá-lo”, conta a vítima.
Revolta
A técnica de enfermagem de 45 anos, que na época da cirurgia tinha 25, relata que ficou com várias cicatrizes, mas reconhece que há vítimas com marcas piores que as dela. Ficou satisfetia com a condenação de Rondon, mas ainda não considera que a justiça realmente tenha sido feita.
“A gente sabe que as pessoas são condenadas, porém não são punidas. Mas ainda assim é um alívio saber que ele vai pagar pelo erro”, disse.
Apesar de não manter contato com outras vítimas, a técnica de enfermagem relata ter conhecimento de mulheres que entraram em depressão por conta das marcas. “Na época, o corpo era uma necessidade da gente. Teve mulheres que ele mutilou”, disse.
Em casa
Rondon foi preso em 21 de setembro de 2009, em cumprimento ao mandado de prisão pelo crime de lesão corporal dolosa. Em outubro do mesmo ano, foi beneficiado com regime domiciliar, depois que a defesa alegou que ele precisava de alimentação diferenciada por causa do diabetes. Desde então mora em Bonito, a 249 quilômetros de Campo Grande.
A condenação imposta na segunda-feira (9) pelo juiz Ivo Salgado Rocha refere-se ao crime agravado por deformidade permanente a dez das 14 mulheres. Na denúncia, consta que Rondon trabalhava, a partir de 1999, sem habilitação de especialista em cirurgia plástica.
O advogado René Siufi, que defende Rondon nos processos, diz que irá recorrer da sentença, contestando o método utilizado para quantificar as penas. Siufi diz que não foi adotada contagem de crime continuado, o que poderia reduzir a sentença, já que o ex-médico foi condenado por cada caso, com avaliação de agravantes em separado.

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